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June 25, 2015

Estratégias de luta contra a verticiliose

A verticiliose é uma doença que se converteu num importante problema para a olivicultura espanhola, em especial para as novas plantações que se realizaram no nosso país nos últimos 30 anos. O agente que provoca a doença é um fungo, o Verticillium dahliae, presente nos solos infetados. Na oliveira, a infeção pode apresentar duas formas distintas: por morte súbita de ramos ou de toda a árvore, ou de uma forma menos aguda, com a dessecação das flores e folhas.

A procura de curas contra este mal, assim como estratégias para minimizar o seu impacto na nossa olivicultura é uma prioridade para a Interprofesional del Aceite de Oliva Español. Tanto assim o é que a Organização impulsionou e participa em várias investigações abertas no nosso país, com vista a dar um enfoque multidisciplinar para combater este mal. Resumimos brevemente as distintas linhas de trabalho:

Estrategias-de-luta-contra-a-verticiliose

Obtenção de variedades de oliveiras resistentes à verticiliose.

É uma das linhas de investigação mais prometedores que se está a desenvolver na Universidade de Córdoba e trata de desenvolver novas variedades que sejam resistentes ao ataque do fungo e que, em simultâneo, se possam adaptar aos novos sistemas de cultivo. Avaliaram-se centenas de cruzamentos e mais de 8 000 genótipos. No total, desde 2008, semearam-se mais de 20 000 sementes e, no campo, plantaram-se mais de 500 genótipos. A resistência ao fungo comprova-se tanto nas plântulas como no cultivo. De facto, estão a escolher-se terras altamente contaminadas com o fungo para fazer os ensaios.

No campo avalia-se a sua resistência, o vigor das plantas, a sua propagação e a sua produção. Após a avaliação de cada variedade, procede-se ao seu registo. A equipa que o professor Diego Barranco comanda confia em ter prontas variedades comerciais em 5 anos.

«Controlo biológico da verticiliose da oliveira.

Esta linha de investigação trata de averiguar que fatores influenciam a resistência de certas variedade de oliveira para o ataque do fungo que produz a verticiliose e como se desenvolve a mesma. Por este motivo, trabalha-se diferentes variedades para conhecer mais sobre o mecanismo de resistência, desde a frantoio, muito resistente, à cornicabra, mais suscetível aos ataques da doença.

Ao mesmo tempo, o grupo dirigido por Antonio Trapero Casas na Universidade de Córdoba avalia os efeitos da aplicação que uma série de produtos biológicos têm para a doença e a contaminação dos solos. Trabalha-se sobre extratos e óleos vegetais ou ativadores de defesas, assim como complementos orgânicos como águas ruças, estrume ou resíduos orgânicos. Também se está a trabalhar com microrganismos antagónicos do fungo que provoca a doença. Alguns destes microrganismos demonstraram uma inibição entre 75% a 100%.

Controlo de Verticillium dahliae na água de rega e o efeito do gestão da irrigação na verticiliose da oliveira.

Investigadores da Universidade de Córdoba avaliam também a capacidade do fungo que causa a verticiliose para dispersar-se através da água da rega. Comprovou-se que o fungo é capaz de contaminar infraestruturas de toda uma comunidade de regantes, o que se traduz numa rápida expansão da doença. O grupo dirigido por Francisco Javier López Escudero trata de identificar linhas de irrigação que minimizem a transmissão do fungo. Estão a ser realizados ensaios com irrigações aplicadas com periodicidades muito distintas para comprovar os seus efeitos nas plantas que assentam em solos muito contaminados.

Este grupo também propôs como objetivo reduzir ou eliminar o agente patogénico da água para evitar a sua propagação. Avaliam-se processos físicos e químicos que sejam suscetíveis de aplicar-se à rega do olival.

Gestão da verticiliose da oliveira provocada pelo patotipo desfolhante Verticillium dahliae mediante a utilização combinada de padrões de zambujeiro resistentes e fungos benéficos.

Outro grupo de investigadores parte da hipótese de que se pode reduzir o potencial da doença grave da verticiliose durante os primeiros anos de vida da oliveira. Com base nesta premissa, os cientistas da Universidade de Córdoba liderados por Rafael Manuel Jiménez Díaz trabalham com padrões resistentes ao fungo, cultivares menos suscetíveis e agentes biológicos que permitam proteger as raízes do ataque do fungo. Está a ser utilizado material vegetal que se aplicou aos agentes biológicos para comprovar como interagem com o causador da doença.

Conceção e aplicação de bioindicadores e metagenómica para a caracterização do estado fitossanitário e nível de supressão dos solos do olival à Verticilosis (Metagensus).

O Instituto de Agricultura Sustentável do Conselho Superior de Investigações Científicas (IAS-CSIC) propõe outra abordagem ao problema. O objetivo destes investigadores, dirigidos por Blanca B. Landa, é desenvolver bioindicadores ligados ao estado fitossanitário dos olivais segundo distintos tipos de gestão agronómica. Em concreto, a presença de rizobactérias e a sua atividade em solos infetados e livres do fungo causadores da verticiliose. Também tratam de caracterizar as comunidades microbianas e a sua evolução estacional, que podem responder ao porquê de uns solos serem mais suscetíveis de apresentar fungos do que outros.

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